A mulher grita para os transeuntes: Taxi? Taxi? Taxi?
Depois de um tempo eu já nem escuto mais, e de repente ela para pois que alguém atendeu a seu chamado. Só a mais bonita parou, a que me chamou atenção, pois as outras três das cabines vizinhas, continuam a tentar "pescar" pessoas.
Mas o que me atrairia a tomar o veículo de sua ou de outra empresa? Não me encha ! Eu não preciso de nenhum. Não quero. Não sou quadrado. Já pesquisei o trajeto. Já conheço este lugar. Não espero por ninguém. Caminho por mim mesmo até mesmo quando estou chegando. Mas quero comer algo antes tomar meu rumo, e só observo.
O coroa de boca aberta dormindo no banco. A gostosinha perdida, e com o celular na mão procura/espera por alguém. Uma outra também gostosinha caminha de um lado a outro, e se desespera porque a essa hora da madrugada já desligaram a energia do sistema automático da porta. Calma. Entra pela porta seguinte, mais à frente. Você não vai perder seu ônibus. Só não é capaz de pedir ajuda ao moreno com cara de psicopata que observa cada movimento seu. Desconfia até da própria sombra.
Acabo meu lanche, e agora a caneta desliza sobre uma coleção de guardanapos, que serão numerados pra que eu não me perca. Quarenta e cinco minutos me restam pra acabar de escrever e me dirigir à minha condução - poltrona 37.
Pra desembarcar em outra cidade onde também haverão mulheres a perguntar: Taxi? Taxi? Taxi?
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